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Angústia, Melancolia e a busca por uma ética do cuidado social.



A psicologia humana é um vasto campo de estudo, repleto de nuances e complexidades. Dois termos que frequentemente emergem nesse contexto são "Angústia" e "Melancolia". A angústia, muitas vezes traduzida como ansiedade em inglês, transcende as categorias de psicose e neurose, sendo melhor compreendida como uma qualificação do afeto. Por outro lado, a melancolia é caracterizada por uma profunda tristeza, indiferença afetiva e um estado de depressão que pode desencadear ideias suicidas. Ambos os conceitos refletem a complexidade da psicologia humana, mas a sua potencialização está intrinsecamente ligada à inclusão de uma ética de cuidado social.


Angústia: uma reflexão profunda

A angústia é um termo que, em sua forma original em alemão, representa um medo do objeto, uma apreensão em relação a um perigo futuro. Ela não se limita a uma mera ansiedade; é, na verdade, o deslocamento de um afeto que se manifesta como um sintoma. A angústia é a sensação de que os estímulos internos se acumulam, uma sensação de impotência diante de uma situação que escapa ao nosso controle. É como se estivéssemos acorrentados à nossa própria angústia, incapazes de alterar o curso dos eventos.


Melancolia: um profundo abismo

A melancolia, por outro lado, é um estado de tristeza profunda que se traduz em indiferença afetiva, lentificação psíquica e motora. Frequentemente, leva a um estado de depressão que pode alimentar ideias suicidas. Embora a depressão possa conter elementos de melancolia, não se resume a ela. A melancolia é um abismo emocional que pode nos envolver e nos fazer sentir como se estivéssemos perdendo a conexão com o mundo ao nosso redor.


Ética do cuidado social: o elo perdido

O cerne da questão reside na ética do cuidado social. Esta ética preconiza a sincronização entre tratamento e cuidado, garantindo as bases mínimas para a vida e sua manutenção em um contexto social amplo que abarque todas as camadas da sociedade. Cada ser humano deve ser capaz de responder à pergunta "Por que viver?" com sua própria interpretação. Quando essa resposta não surge, é um sinal de que o projeto político e social está falhando.


A falta de perspectiva de uma "boa vida possível" e de "um sonho realizável" gera uma neurose social em que o ser humano se torna invisível. O grande desafio para os psicanalistas e os protagonistas da saúde mental é trazer a coragem necessária para mudar essa realidade, conduzindo a uma nova interpretação. O sofrimento sem sentido se torna um vazio existencial, mas quando ligado a um propósito, ele direciona a uma vida com significado.


Conclusão: A transformação pela Psicanálise Teoterapêutica

A psicanálise Teoterapêutica pode não ser capaz de mudar diretamente a realidade social de um indivíduo, mas ela tem o poder de potencializar a cura, ajudando as pessoas a se enxergarem como seres humanos reais e capazes de dar sentido às suas vidas. Aqueles que se sentem invisíveis podem encontrar a visibilidade dentro de si mesmos. É através dessa jornada que a angústia e a melancolia podem ser compreendidas, enfrentadas e, eventualmente, superadas, tornando possível uma vida com significado e propósito. A psicanálise é, portanto, uma ferramenta valiosa na busca pela compreensão e transformação do ser humano.


Tyrone Augusto Domingo

Aluno da Teoterapia

ABT 1.0014-PR provisória

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