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Reconhecendo as fraquezas da (minha) alma

A primeira navegação

Há um tempo reconheci a necessidade de entender um pouco sobre a alma humana. Esta

necessidade foi despertada por desejar compreender a mim mesmo como pessoa. Quis ir além do que já conhecia.


Pode até soar egoísta, entretanto, foi a forma de poder conectar comigo mesmo e também com Deus.


Sabe quando você percebe que te falta um pedaço? Que ainda existe uma porta a ser aberta ou que deseja caminhar por aquela rua escura para ver o que tem do outro lado? Essa foi a sensação que tive.


Nesta época eu era apenas um mero estudante de filosofia, eu sabia que conseguiria algumas respostas mediante estudos filosóficos e então me lancei de cabeça para entender aquela substância que junto, à matéria, me tornara um ser humano integral.


Como precisava de um ponto de partida, comecei a jornada adentrando cada vez mais às entranhas de textos de Platão e Santo Agostinho, desta forma tive a percepção do quão profunda e complexa é a existência do ser humano. Não era apenas um objeto de estudo, era um estudo sobre aquilo que é mais próximo de Deus¹.


Foi assim que passei a entender que a alma é um terreno íngreme e, ao mesmo tempo frágil. E se a alma é íngreme e frágil e eu possuo uma alma, logo, eu também sou íngreme e frágil. Contudo, vale ressaltar que esses adjetivos não significam fraqueza, mas que são duas características que tornam a alma algo fascinante de conhecer.


Tal qual cientista que disseca um cadáver para conhecer mais sobre o corpo humano e as doenças que lhe aflige, me pus sobre uma mesa fria e fui dissecando minha própria alma. É claro que não fui tão profundamente como gostaria de ir, pois somente Deus pode conhecer a nossa alma como ela é em essência.


No decorrer dos estudos e pesquisas, entre textos e mais textos, fui me percebendo naquelas linhas, porém, a visão que tive não foi a das melhores. Percebi que haviam diversas falhas que eu não enxergava. Elas eram os olhos dentro de mim que me encaravam e também me cegavam para que eu não pudesse observá-las, reconhecê-las e expurgá-las do meu interior.


Reconhecer as próprias falhas é um exercício assustador, é custoso acreditar que aquilo faz parte de nós, ou melhor, que isso somos nós.


Todo marinheiro de primeira viagem se assusta com o balanço do barco diante das ondas agitadas, mas como dizem, “mar calmo não faz bom marinheiro”, além disso, a primeira navegação é necessária para podermos enxergar aquilo que nos faz fracos e também o que nos fortalece.


Apesar de chegar à conclusão que a alma tem seu início, que ela foi criada por Deus, Criador de tudo e após sua estadia na Terra, ela volta para Aquele que a faz, percebi que somos todos peregrinos buscando uma rota para voltar para casa. Que somos seres equacionais tentando resolver a incógnita que somos.


Mesmo chegando a esta conclusão, minha peregrinação ainda não tinha terminado. Compreendi qual foi o início da minha existência e quem era o meu Condutor, contudo, a qualidade dos meus pensamentos pesava sobre mim. Não me percebia digno de pertencer.


Devido a isto, fui levado a entender as minhas emoções. Eu sabia que ainda existiam cicatrizes do passado marcando minha alma de cima a baixo, mas ainda assim, acreditava piamente que poderia conviver com elas sem uma ajuda e tudo estaria bem. Ledo engano.


Não dava muito crédito à psicologia, pois minha ideia de alma – que era mais num âmbito filosófico – distanciava muito do que me era apresentado por algumas escolas de psicologia. Nada disso fazia sentido para mim. Era tão profunda como uma gota d’água.


Fui convidado a assistir uma aula na formação de teopsicoterapia. A voz grave do professor trazia peso às palavras. Mesmo eu não dando muito crédito ao que já conhecia sobre a psicanálise, todas aquelas palavras pesavam na minha mente e no meu coração e como uma estátua de lego, fui desmontado peça por peça, uma de cada vez e então me vi totalmente espalhado no chão. Mas, ao mesmo tempo que cada peça estava ali jogada, fui sendo reconstituído com uma nova perspectiva sobre mim quando eu ouvi que eu sou uma boa ideia do Criador. Deus é o cartógrafo que mapeia todo o Caminho que nos guia e nos leva até Ele.


Existe um antigo ditado que diz que após a tempestade sempre vem a bonança e eis que o céu se abriu, as estrelas apareceram e uma brisa fresca veio em minha direção e foi neste dia que tudo fez uma enorme diferença na minha vida.


A mudança foi tão radical que me levou à compreensão que não deveria guardar somente para mim, então, criei um pequeno curso chamado Repensando Escolhas, um curso voltado para uma mudança de hábitos com o objetivo de ser uma pessoa melhor diariamente. Você pode acessá-lo no link abaixo.


Augusto Rocha

Aluno de Teoterapia


¹ “De fato não, não há nada na natureza que não guarde alguma semelhança com a Trindade e que não possa nos ajudar a concebê-la; todavia, tomada em sentido próprio, a dignidade da imagem pertence somente ao homem. No homem, ela pertence propriamente apenas à sua alma; na alma, ,ela pertence propriamente apenas ao pensamento (mens), que nela é a a parte superior e mais próxima de Deus.” GILSON, Étienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. p. 416


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