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Segundas chances e transformações.

A Bíblia conta a história de uma mulher chamada Gômer. Esta era uma prostituta, até que um dia sua vida mudou.


Um homem chamado Oséias, profeta de Deus em Israel, a pediu em casamento e eles se casaram. Gomer e Oséias tiveram três filhos e a vida dela mudou completamente.


Com o passar do tempo, Gomer começa a sentir-se insatisfeita, talvez cansada dos constantes afazeres domésticos, da monotonia da vida, sempre na mesma rotina de cuidar da casa, do marido e de seus 3 filhos. As crianças talvez fossem como a maioria delas, ativas, brincando, fazendo arte, espalhando coisas, gritando, brigas entre os irmãos.


A verdade é que Gômer começou a se lembrar do passado, do tempo em que sentia-se livre, rodeada de elogios de homens estranhos que pagariam com dinheiro ou presentes para tê-la. Perfumes, maquiagens, baladas.


Num ímpeto quase que impossível de resistir, Gômer foi embora, sem olhar para trás, deixando sua casa decorada à sua maneira, seu marido que a amava e seus três filhos.


Gomer teve uma crise de identidade? Ainda que Gomer tenha sido tirada da prostituição, sua mente não assimilou a mudança. A mente continuava a mesma.


Muitos passam por esta crise quando os desafios da nova vida aparecem. Se alguém que se casa não tiver sua mente transformada, ele continuará a ter a mente, sentimentos e desejos dos tempos de solteiro. O mesmo acontece com a chegada de um bebê.


Muitos casais preparam tudo para o nascimento de seu primeiro filho: roupas, quarto, fraldas (um verdadeiro estoque), mas não estão preparados para as noites em claro, choros, cólicas, muitas mamadas e esse começo se torna intenso e estressante, dando a sensação de nunca acabar, ainda que os casais mais experientes lhes digam que é uma fase, logo vai passar, não sendo o que parece estar acontecendo. São dias e noites sem fim.


Ter a mente transformada é o que faltou a Gomer. Ela se deixou levar por seus pensamentos. Esqueceu-se das dificuldades da velha vida e por um instante, parecia que não pertencia àquele mundo, ao seu novo universo familiar. Uma crise explodiu em seu interior, com certeza ela pensou: "Eu não nasci para esta vida de mãe e esposa, criando família. Vou voltar para o lugar que eu conheço." Mas o caminho foi espinhoso, ela também não pertencia mais àquele lugar e àquela vida, porém ficou escrava, precisava trabalhar exaustivamente e dar os lucros aos cafetões.


Ela também tinha medo de voltar, o que diria ao marido? Aos vizinhos, familiares? Como olhar nos olhos de seus filhos e dizer-lhes onde a mamãe havia ido? Ela estava sofrendo como nunca antes. Voltar é tão ou mais difícil do que partir, pois partir não exigiu muito empenho, foi mais como obedecer aos seus sentidos, sem pensar muito para não perder a coragem.


Voltar, porém, são horas e horas de energia mental investidas, analisando os prós e contras, construindo frases, recapitulando o que deve ser dito. Junto a isto, quilos de vergonha, humilhação e medo. Deus, porém, em sua infinita compaixão, viu o coração e a angústia de Gômer. Ele falou ao seu marido e Oséias, então, partiu pela segunda vez em busca de sua esposa, pagando-lhe pelo resgate, perdoando-a e amando-a mais do que nunca.


Não sei se um dia você saiu do lugar onde deveria estar, se por um ímpeto foi traído por seus pensamentos e se deixou levar pelos sentimentos, mas o Senhor tem um recomeço para você, assim como fez com Gômer.


Voltar e recomeçar, se permitir uma segunda chance, te farão muito bem. Nesse caminho, amigos e pessoas queridas estarão com você, assim como o próprio Senhor preparará um ambiente de amor e autoaceitação.


O principal e melhor ponto de partida é renovar a sua mente, transformá-la para poder experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Removendo a mente antiga, renovando e revestindo-se da sua nova versão de si mesmo.



Fernanda Scandiuzzi

Pastora - Teóloga

ABT 1.0018-SP provisória


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